A transição para um mundo maker

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Estamos vivendo um momento de transição na história da tecnologia. Pela primeira vez o ato de fazer coisas, de construir objetos, está sendo transformado de maneira radical pela disponibilidade ampla de métodos digitais de alta velocidade e baixo custo para desenho e produção de materiais.

A tecnologia digital de produção e manufatura de objetos materiais não é novidade. Há décadas as grandes empresas já tem acesso a diversos tipos de máquina como impressoras 3D, cortadoras a laser ou fresadoras CNC. Produtos como o MacBook Air são fabricados com fresadoras de alta precisão em larga escala, usando uma tecnologia que não era economicamente viável há 10 anos atrás. A novidade é a disponibilidade dessas tecnologias a um custo acessível e com uma simplicidade de operação que a torna viável até para os usuários comuns

Uma parte importante desse movimento é o surgimento de espaços dedicados para os “fazedores”. Makerspaces, FabLabs, oficinas digitais, o nome pode variar, mas o princípio básico é bem semelhante. São locais dotados de equipamentos modernos, e que podem ser usados para criar novos produtos ou produzir cópias de forma conveniente e acessível. Também são clubes, locais de encontro para a comunidade local, para convivência e troca de experiências.

O potencial de impacto econômico dessas mudanças é imenso. Prefiro não arriscar uma previsão qualquer; como disse XXX, “é muito difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro”. Porém, acredito que esse futuro está sendo construído, e que a melhor forma de garantir que seja um futuro positivo seja participando da construção desse futuro.

O Brasil é nesse sentido um local com grande potencial de crescimento. Até mesmo pelas nossas dificuldades econômicas e materiais, desenvolvemos uma cultura que permite — ainda que de uma forma um tanto envergonhada às vezes — o improviso e a construção de soluções práticas para problemas cotidianos. A “gambiarra”, muita vezes mal falada, é a manifestação dessa criatividade.

A tecnologia de prototipação e produção rápida permite dar um passo além do improviso, aliando praticidade e baixo custo a um nível profissional de qualidade. A antiga gambiarra cede lugar para o protótipo rápido e para a cópia digital perfeita. Com isso, podemos utilizar aquilo que temos de melhor — a criatividade e a capacidade de improviso — porém aliada a um nível superior de qualidade. É uma revolução que pode nos dar uma capacidade competitiva única no mundo globalizado.

Originalmente publicado em meu blog no Medium (A transição para um mundo maker).

By | 2016-12-14T16:23:38+00:00 maio 15th, 2016|mundo maker, Uncategorized|Comentários desativados em A transição para um mundo maker